Em um cenário onde notícias sobre assaltos, agressões, tiroteios e mortes se tornam cada vez mais frequentes, cresce o risco de que a sociedade comece a tratar a violência como algo corriqueiro — como parte do dia a dia. Essa normalização é perigosa. Ela anestesia, enfraquece a indignação e reduz a pressão por mudanças efetivas.
Segundo dados recentes de institutos de segurança pública, a maioria dos brasileiros já foi diretamente afetada ou conhece alguém que sofreu algum tipo de violência urbana. Nas periferias, isso se intensifica: a violência se infiltra nas rotinas, nas conversas, nos trajetos diários, muitas vezes sem causar mais espanto. E é exatamente aí que mora o perigo.
“Quando deixamos de nos chocar, começamos a aceitar”, afirma a socióloga Carla Mendes. “E quando aceitamos, paramos de lutar por políticas públicas, por segurança efetiva, por justiça.”
A banalização da violência atinge também os mais jovens, que crescem acostumados com o medo, com sirenes, com barulhos de tiros e com notícias de luto. A escola ensina matemática, mas não ensina a lidar com o trauma de perder um colega por causa de uma bala perdida.
A luta contra a violência passa não apenas por medidas de segurança, mas também por educação, cultura, saúde mental e oportunidades reais. Enquanto enxergarmos a violência como algo inevitável, deixaremos de exigir um país mais justo, mais seguro e mais digno para todos.
É urgente resgatar a capacidade de se indignar. Violência não é rotina. Violência não é paisagem. Violência não é normal. E nunca deve ser.
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