O “sofrimento” em cela climatizada

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No Brasil, onde milhões enfrentam filas intermináveis por atendimento médico, falta de medicamentos, calor sufocante nas casas e ausência total de conforto básico, causa espanto ver alguém preso em condições privilegiadas se apresentar como vítima de “maus-tratos”.

Segundo informações divulgadas, o detento em questão conta com acompanhamento médico constante, ambiente climatizado, televisão e até frigobar. Uma estrutura que muitos brasileiros jamais experimentaram nem mesmo em momentos de saúde, muito menos em situações de vulnerabilidade. Ainda assim, a narrativa construída é a de perseguição, sofrimento e injustiça.

É curioso como o conceito de dor se transforma quando se vive uma realidade distante da maioria do povo. Para quem sempre esteve cercado de privilégios, qualquer limite passa a ser interpretado como opressão. Para quem conhece o Brasil real,  o das filas no SUS, dos hospitais superlotados, das casas sem ventilação, do trabalhador que mal consegue pagar o básico, essa queixa soa como deboche.

Afinal, se uma cela com ar-condicionado, médico 24 horas e televisão é apresentada como cenário de tortura, o que dizer da vida de milhões que não têm sequer acesso a um atendimento digno quando adoecem?

A estratégia é antiga: transformar responsabilidade em martírio, conforto em sofrimento e privilégios em perseguição. O discurso da vitimização tenta reescrever os fatos, apelando mais para a emoção de seguidores fiéis do que para a realidade concreta.

Talvez o problema não esteja nas condições da prisão, mas na dificuldade de aceitar que ninguém está acima da lei, por mais alto que tenha sido o cargo ocupado ou por mais alto que seja o grito de “injustiça” nas redes sociais.

No fim das contas, enquanto alguns reclamam de “maus-tratos” em ambientes climatizados, o Brasil real continua enfrentando privações verdadeiras, sem holofotes, sem discursos e sem privilégios. E contra os fatos, como se diz, não há narrativa que se sustente.

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