GRAVE ACIDENTE EM ILHÉUS: PROCEDIMENTO DO SAMU É QUESTIONADO APÓS ATROPELADO SER LEVADO SENTADO E ACABAR INTUBADO NA UTI
O trabalhador José Cristóvão, funcionário dos serviços gerais do Hotel Jardim Atlântico, na zona sul de Ilhéus, luta pela vida após ser vítima de um grave atropelamento ocorrido na última terça-feira (28), nas proximidades da AABB, quando retornava do trabalho em sua bicicleta.
A violência da colisão foi tão intensa que o eixo e a roda traseira da bicicleta ficaram completamente danificados, evidenciando a força do impacto sofrido pela vítima.
Além da gravidade do acidente, o caso passou a gerar questionamentos da família sobre o atendimento prestado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
Segundo relatos dos familiares, enquanto o motociclista envolvido no acidente foi transportado deitado em uma maca, José Cristóvão foi conduzido sentado e com a mochila nas costas até o Hospital Regional Costa do Cacau.
A família afirma que só tomou conhecimento do acidente porque uma pessoa que passava pelo local reconheceu a vítima e entrou em contato.
Ao chegar ao hospital, antes mesmo da ambulância, os familiares disseram ter ficado surpresos ao encontrar o motociclista sendo atendido em uma maca, enquanto José Cristóvão permanecia sentado. Na avaliação da família, considerando a violência do impacto, ele também deveria ter sido imobilizado e transportado deitado.
A esposa da vítima relata que, ao ser solicitado que se levantasse, José Cristóvão não tinha forças para permanecer em pé, sendo necessário que fosse amparado pelos braços e pelas pernas para ser colocado em uma cadeira de rodas.
Outro ponto que causou indignação foi o registro constante na ocorrência do SAMU, segundo o qual a vítima apresentava sinais de embriaguez.
A família contesta essa informação. Segundo a esposa, José Cristóvão é evangélico há mais de quinze anos e não faz uso de bebida alcoólica.
Ela afirma ainda que, ao encontrar o marido no hospital, percebeu que ele não respondia normalmente aos chamados, apresentava o olhar perdido, pouca reação e aparentava não compreender o que acontecia ao seu redor.
Ao tocar a parte de trás da cabeça da vítima, a esposa identificou um grande inchaço e percebeu que a região estava amolecida, aumentando a preocupação com um possível traumatismo craniano grave.
Na avaliação da família, os sinais interpretados inicialmente como embriaguez poderiam, na realidade, estar relacionados ao traumatismo provocado pela forte pancada na cabeça. Essa hipótese, entretanto, deverá ser esclarecida pelas investigações e pela análise dos prontuários médicos.
Cerca de três horas após dar entrada no Hospital Regional Costa do Cacau, José Cristóvão teve agravamento do quadro clínico, precisou ser intubado e foi encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Na quarta-feira (29), ele passou por cirurgia em razão do grave traumatismo craniano e permanece internado, intubado, sob cuidados intensivos.
Durante a apuração da reportagem, um profissional do próprio SAMU informou que, nos primeiros procedimentos realizados no local, a vítima respondeu às perguntas feitas pela equipe. Questionado sobre o motivo de José Cristóvão ter sido transportado sentado, apesar da violência do acidente, o profissional afirmou que a conduta adotada seguiu os critérios e protocolos estabelecidos pelo serviço.
Mesmo diante dessa explicação, a evolução do estado clínico da vítima levou a família a pedir que o atendimento seja rigorosamente analisado para verificar se todos os protocolos foram corretamente aplicados desde os primeiros socorros até o encaminhamento ao hospital.
A família ressalta que não pretende condenar previamente os profissionais envolvidos, mas considera fundamental que o caso seja apurado com transparência e responsabilidade.
Quando surgem dúvidas sobre a assistência prestada em uma ocorrência tão grave, cabe aos órgãos competentes esclarecer os fatos e demonstrar se os procedimentos adotados seguiram os protocolos técnicos previstos.
A expectativa dos familiares é que a apuração seja conduzida com rigor, tanto para oferecer respostas sobre o atendimento prestado a José Cristóvão quanto para garantir que, caso sejam identificadas falhas ou a necessidade de aperfeiçoamento dos procedimentos, outras famílias não enfrentem situações semelhantes.
